A EDP, por exemplo, refere no seu plano - disponível online para consulta - que "visando a diminuição do risco de contágio, por princípio todo o posto de trabalho que não exija presença ou operação a partir do local habitual, deve ser incentivado a ficar em situação de trabalho à distância (ou teletrabalho)".

"No entanto, como o trabalho à distância exige que se aceda à rede interna da EDP e como o número de ligações de acesso remoto à rede EDP é limitado, devem ser considerados apenas os necessários para assegurar os serviços e actividades essenciais", acrescenta.

Fonte oficial do BCP disse que o banco prevê também no Plano de Continuidade do Negócio o recurso ao teletrabalho na eventualidade de uma pandemia.

Fonte da Microsoft Portugal disse à Lusa que a multinacional "está a monitorizar atentamente a questão e a seguir as indicações da Organização Mundial de Saúde no que se refere às recomendações para viajantes de modo a que os colaboradores possam estar informados e tomem as precauções necessárias durante as viagens de trabalho".

Relativamente ao tema do teletrabalho, de acordo com a fonte, apesar de a Microsoft Portugal não o ter oficialmente instituído, como possui um elevado número de colaboradores em situação de grande mobilidade, desde sempre que contemplou a possibilidade de um dos pontos de trabalho poder ser a partir de casa.

"Como tal, esta possibilidade mantém-se actualmente em vigor", disse.
"É quase uma evidência. Quanto maior o risco de contágio, mais o trabalho à distância se pode apresentar como uma solução para as empresas", disse o presidente da Associação para o Desenvolvimento do Teletrabalho (APDT), Miguel Reynolds, em declarações à Lusa.

Só 15 a 20% neste regime

A APDT estima que entre 15 e 20% da população activa - entre 800 e um milhão de trabalhadores - sejam teletrabalhadores, sendo a forma "domiciliária" a mais predominante.

"Os avanços da tecnológicos permitiram grandes avanços na área do Teletrabalho, sobretudo no sector dos serviços", disse.

O novo código laboral - que entrou em vigor em Fevereiro deste ano - regulamentou a noção de teletrabalho, enquanto uma "prestação laboral realizada com subordinação jurídica habitualmente fora da empresa e através do recurso a tecnologias de informação e de comunicação".

De acordo com Miguel Reynolds é, no entanto, muito difícil saber neste momento quantos são actualmente os teletrabalhadores, dado não ser necessário que o trabalhador esteja sujeito a um contrato específico para este efeito.

"São muito poucas as empresas que integram trabalhadores apenas em regime de Teletrabalho. Normalmente o que acontece é que o trabalhador realiza tarefas para a empresa fora do local de trabalho pelo menos uma vez por semana", explicou o responsável.

Lusa