Gripe A (H1N1)
Noticias sobre a evolução da Gripe A em Portugal

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Jul 09

 

Empresas e instituições já começaram a preparar-se, mas mensagem ainda não chegou a toda a população. Por agora, não há alarme 

Nas últimas semanas, a sociedade portuguesa começou a preparar- -se para a pandemia de gripe A, mas a resposta ainda é recente e a mensagem não chegou à maior parte dos portugueses. Esta é a conclusão de Constantino Sakellarides, que lidera o Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica.

"Tirando o interesse dos primeiros dias, logo em Abril, em Maio e Junho a resposta da sociedade foi sobretudo de indiferença e cepticismo. Mas nos primeiros dias de Julho houve uma inflexão clara, a nível das instituições", explica. O responsável atribui essa mudança a três factores: crescimento do número de doentes, aparecimento de casos numa escola, levando ao seu fecho, e divulgação da morte de uma criança aparentemente saudável em Inglaterra.

"Administração pública, associações de pais, organismos do futebol, sindicatos e empresas - todos começaram a fazer e a exigir planos de contingência. A lista é interminável", diz o director da Escola Nacional de Saúde Pública, acrescentando que todos os dias a instituição que dirige recebe pedidos de empresas para ajudar a elaborar planos. E já há organizações que exigem esses documentos aos seus fornecedores, para ter a certeza de que vão conseguir trabalhar durante a pandemia.

"É uma resposta construtiva, mas é recente e leva tempo a chegar à base. As pessoas ainda pensam que são excessos da comunicação social, ou das autoridades, ou que vai acontecer o mesmo que com a pandemia de gripe das aves, que nunca chegou a ocorrer. A ideia de que têm de se preparar tem de chegar por vários canais para passar", conclui. E quando recebem mensagens contraditórias, tudo se complica. "Há empresas que não têm planos de contingência e há outras que têm apenas papéis, que não foram discutidos nem testados. Assim, a mensagem não passa", conclui Contantino Sakellarides.

E porque é tão importante que as pessoas se convençam de que vem aí uma pandemia de gripe A e o que está em jogo? "Porque a forma como vamos enfrentar a pandemia, o resultados dos nossos esforços, depende do que as pessoas vão fazer e das suas expectativas, que têm de ser inteligentes", explica. Ou seja, a resposta da sociedade será tão fundamental como a das autoridades: e não pode ser de alarme nem de indiferença. Por isso, constitui-se um centro para estudar essa resposta e perceber como se pode intervir para melhorar a comunicação.

A monitorização é feita através do estudo das mensagens que circulam no espaço público (imprensa, Net) e de uma rede de empresas, famílias, centros de saúde e escolas que está a ser montada e será activada até Setembro.

Além disso, "como as pandemias se arrastam no tempo, as pessoas vão passando por várias fases. Não fazem aquilo que lhes dizem mas aquilo que acham melhor", acrescenta o especialista. Por exemplo, apesar de se insistir na importância de os doentes telefonarem para a Saúde 24 e não saírem de casa, nos primeiros 100 casos "a maior parte das pessoas procuraram os serviços de saúde" conta o responsável. "Isso mostrou que tínhamos de passar a mensagem de outra maneira para as pessoas perceberem", conclui.

Ontem, foram confirmados sete novos casos de infecção pelo vírus H1N1. Apenas um resultou de transmissão interna e até amanhã todos terão alta. Na quarta-feira, foi divulgado um caso numa funcionária de um call-center do grupo PT. O espaço foi desinfectado e até ao momento não há notícia de mais funcionários com sintomas. Desde Abril, registou-se no País um total de 272 casos.

publicado por HF às 08:55
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