Gripe A (H1N1)
Noticias sobre a evolução da Gripe A em Portugal

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Jul 09

Cerca de um terço das pessoas infectadas com o vírus da gripe A em Portugal até à data veio de Espanha, país onde a evolução da doença está a ser seguida com atenção pelas autoridades nacionais, adianta o subdirector-geral da Saúde, José Robalo.

Esta semana, uma equipa da Direcção-Geral da Saúde (DGS) esteve em Espanha e outra foi ao Reino Unido justamente para trocar informações e observar aquilo que tem sido feito nestes países que se encontram já numa fase de disseminação da doença na comunidade. Em Espanha, registaram-se até à data seis mortes (para um total estimado de mais de 1500 casos) e no Reino Unido 30 mortes (mais de 110 mil infectados). Estes países deixaram de contabilizar o número de novos doentes, ao contrário do que acontece em Portugal, que continua a apresentar uma estatística diária porque os casos ainda são na sua maior parte importados (só 10 por cento são pessoas que se infectaram no país). Ontem, foram anunciados sete novos casos (o que faz ascender a 272 o total desde Maio), mas apenas três doentes permaneciam internados.

Portugal continua, pois, numa situação confortável. “Não temos tido casos de gravidade que justifiquem internamento”, explica o pneumologista e consultor da DGS Filipe Froes, que integrou o grupo que esteve no Reino Unido. José Robalo ressalva, porém, que mais tarde ou mais cedo as situações problemáticas começarão a surgir em Portugal, à medida que o número de casos for aumentando. “Este atraso [na disseminação da doença] vai servir para aproveitar a experiência destes países [Espanha e Reino Unido] e corrigir eventuais erros”, frisa. E ganhar tempo é fulcral numa altura em que o mundo está numa autêntica corrida contra o tempo para ter disponível a vacina da gripe A.

Neste momento, pelo menos duas farmacêuticas já estão a fazer ensaios clínicos da nova vacina em humanos. A CSL Blotherapies, da Austrália, anunciou na semana passada que já iniciou a nova etapa. A Novartis Farma, sediada na Suíça, confirmou que já arrancou com os ensaios há mais de oito dias e espera “envolver milhares de pessoas”. Mas nem todas estão tão avançadas. A Baxter e a Glaxo SmithKline só devem iniciar os ensaios nas próximas semanas, apesar da Glaxo garantir que “a vacina pode ser distribuída de Setembro em diante”.

Passos pioneiros

É a primeira vez que se cria uma vacina para uma pandemia instalada. As farmacêuticas ainda não definiram muitos dos pormenores dos ensaios clínicos. Mesmo a Novartis respondeu que ainda não é “possível caracterizar pormenorizadamente a população”, mas garantiu que não vai haver testes clínicos em Portugal. Valem as linhas condutoras definidas pela agência europeia do medicamento (EMEA) emitidas em Janeiro de 2007. O documento foi produzido devido à crise originada pela gripe aviária (vírus H5N1), que assustou o mundo no ano anterior e obrigou a definir um protocolo para a produção de uma vacina. É este documento que serve de base para a actual situação.

Os objectivos dos testes clínicos são dois. Encontrar uma quantidade mínima de vacina que é necessário administrar para desencadear uma resposta imunológica sufi ciente para nos proteger da doença e testar a vacina num número sufi ciente de pessoas para garantir com segurança que não tem efeitos secundários indesejáveis. Segundo a EMEA, numa primeira fase dos ensaios, vários grupos com pelo menos 50 pessoas cada serão testados com diferentes quantidades de vacina, para se chegar à concentração ideal. Posteriormente, uma população de pelo menos três mil pessoas, com idade entre os 18 e 60 anos, será testada com essa concentração ideal para confirmar a eficácia e verificar se a substância provoca efeitos adversos.

José Robalo diz que a vacina pandémica só deve começar a ser distribuída em Portugal em Dezembro. “Pelos contactos que tenho com a EMEA, penso que antes de Dezembro não será possível termos a vacina perfeitamente autorizada para ser usada com segurança”. Para acelerar o processo de introdução no mercado da nova vacina, os países da UE centralizaram tudo na EMEA.

publicado por HF às 08:59
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