Gripe A (H1N1)
Noticias sobre a evolução da Gripe A em Portugal

19
Ago 09

 

A ministra da Saúde acusou, hoje, a empresa que gere a Linha Saúde 24 de incumprimento do contrato firmado e revelou que o serviço está a atender menos sete mil chamadas diárias do que o previsto. Sobre o atendimento médico, a governante disse que os doentes devem deixar de se dirigir ao hospital e dar preferência aos médicos de família nos centros de saúde.

 

"O que está contratualizado são, no mínimo, dez mil chamadas por dia. Estão a atender três mil", censurou Ana Jorge no que respeita ao funcionamento da Linha Saúde 24, à margem da inauguração das novas instalações no Centro Hospitalar de Gaia/Espinho.

A ministra explicou que o incumprimento não se deve apenas à gripe A e frisou que a empresa que gere o serviço (que resulta de uma parceria público-privada) já foi alertada para o problema há algum tempo.

"A linha não é só para a gripe, é para toda a orientação. Mesmo para o que está contratualizado, independentemente da gripe, o número de respostas é cerca de um terço. Não é a gripe que está a sobrecarregar a linha. Ela não responde porque não foi capaz de se organizar para dar resposta àquilo que foi contratualizado", precisou.

Ana Jorge, que já terça-feira tinha referido a necessidade de haver uma "maior resposta" do serviço telefónico (808 24 24 24), foi hoje mais incisiva nas críticas.

Compromisso por cumprir apesar de avisos

"A empresa tem um compromisso que não está a cumprir. Não pode ser. As empresas têm de ser responsabilizadas pelos compromissos assumidos", vincou.

A ministra explicou que as reuniões entre a empresa e a Direcção-Geral da Saúde "têm sido sistemáticas" e que o alerta para a necessidade de formação de técnicos já foi feito "há muito tempo".

"Os compromissos assumidos há mais de um mês não estão a ser cumpridos. Tem havido um acompanhamento diário. Mesmo em relação à formação de técnicos, houve compromissos de fazer isso há muito tempo",
realçou, notando que cabe à empresa, independentemente do número de técnicos, assegurar o número de chamadas previstas no contrato.

Dizendo que da parte do Ministério da Saúde "tem havido toda a disponibilidade para melhorar" o serviço de atendimento, a ministra deixou o aviso: "Estamos no limite."

Atendimento vai passar a ser feito nos centros de saúde

A ministra da Saúde revelou que os casos de gripe A vão passar a ser atendidos nos centros de saúde, ficando os hospitais reservados às situações mais graves, de acordo com um plano que está a ser finalizado.

Notando que "existem seis casos internados neste momento", Ana Jorge sublinhou que Portugal vive actualmente um "ponto de viragem" nas fases de tratamento da gripe A e que, "ainda esta semana, será anunciada a passagem para outra fase".

De acordo com a ministra, Portugal está "num processo entre a passagem da fase de contenção até à fase de mitigação" da doença.

Menos análises

Para além do atendimento passar a ser feito nos centros de saúde, haverá outras modificações, por exemplo não haver "indicações para fazer análises a todos os doentes, porque não há necessidade", explicou.

"Como em qualquer patologia, as pessoas devem recorrer aos seus médicos de família. Também na gripe vamos ter capacidade de atendimento mais próximo das pessoas e mais facilitação no diagnóstico e comunicação, ao passo que os hospitais ficarão para as situações mais graves", distinguiu.

A ministra adiantou que este será um "processo de implementação progressiva", à medida que aumentar o número de casos no país.

"Em cada dia irão aparecer mais centros de atendimento à gripe, fora dos hospitais, e é aí que as pessoas se deverão dirigir", antecipou.

Ana Jorge admitiu a existência de "dois ou três casos de atraso na comunicação da informação" sobre a gripe A e, embora sublinhando que tal não colocou em risco "nenhuma situação de saúde", explicou que se vai tentar corrigir a situação.

Lusa

 

publicado por HF às 23:32
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