Gripe A (H1N1)
Noticias sobre a evolução da Gripe A em Portugal

21
Set 09

Os brinquedos difíceis de lavar devem ser retirados das salas de espera dos serviços de saúde devido ao risco de contágio com a gripe A, defendem alguns pediatras, mas outros alertam para o "mundo de medo" que esta medida pode criar.

 

O Hospital da Luz, em Lisboa, optou por abolir os brinquedos das salas de espera. À entrada destes recintos, um folheto informa que a medida se deve aos riscos de contágio com a gripe A (H1N1).

Para a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), não é necessário retirar todos os brinquedos dos espaços, embora alguns devam sair: os de difícil lavagem, como peluches, as piscinas de bolas e os que têm peças de pequenas dimensões ou material não lavável.

"Os outros brinquedos podem ser utilizados, desde que a sua lavagem seja reforçada", explica à Lusa a pediatra Maria João Brito.

A SPP recomenda que a limpeza dos brinquedos seja realizada com "desinfectantes comuns de limpeza doméstica que permitam a destruição do vírus e de seguida passados por água limpa", lembrando que, "tal como para outras situações, devem ser seguidas as normas de bom senso e de controlo de infecção e segurança em geral".

Muito antes de se falar da gripe A, já o hospital pediátrico Dona Estefânia, em Lisboa, optara por retirar os brinquedos das suas salas de espera na urgência e nas consultas externas.

A justificação, enviada à agência Lusa, prende-se com questões de "higiene e segurança".

O director-geral da Saúde respeita a opção das unidades de saúde em manter ou retirar os brinquedos, embora reconheça que, se estes forem limpos, os riscos de contaminação são menores.

"Há medidas pontuais, previstas nos planos de contingência, que implicam a limpeza de mesas, brinquedos, maçanetas de portas ou corrimões que visam travar a transmissão indirecta do vírus da gripe", disse à Lusa Francisco George.

Em seu entender, apesar da principal via de transmissão do vírus ser "a respiração", a transmissão indirecta (por superfícies) também tem de ser "levada em consideração".

"Bom senso" é a recomendação do pediatra Luís Almeida Santos, do Hospital de São João, no Porto.

Para este especialista, basta que os brinquedos sejam limpos "regularmente" e de uma forma "mais apurada".

Apesar de reconhecer que os brinquedos que sejam mais difíceis de lavar devem deixar de estar nas salas de espera, o pediatra adverte para o risco de medidas deste tipo transformarem o ambiente pediátrico em "paredes lisas de prisões".

Para o pediatra Mário Cordeiro, retirar brinquedos dos espaços dedicados às crianças significa "criar um mundo de medo".

"Duvido que nos livre da gripe A, não criará hábitos higiénicos para prevenir todas as outras infecções e deixa as crianças com outra doença: o tédio, a monotonia e o receio", considera.

Este pediatra defende apenas que se adoptem "procedimentos de limpeza" dos brinquedos, lembrando que, nas salas de espera, as crianças brincam, tocam-se, respiram umas para cima das outras e o ar, com as janelas fechadas, também contém partículas virais.

"As medidas de higiene devem ser as que sempre foram: manter os materiais e brinquedos limpos, evitar aqueles que são de mais difícil lavagem e tentar não misturar crianças saudáveis com crianças que possam ter uma infecção respiratória", sublinha.

Para este especialista, o facto de existir um ambiente pandémico pode ser uma oportunidade "para adquirir hábitos e mantê-los".

Contudo, Mário Cordeiro questiona algumas medidas que estão a ser tomadas, "que confundem vacinas com antivirais e lavagem das mãos com desinfecção".

"Às vezes penso se devemos temer o H1N1 ou certas almas lusas", ironiza.

Lusa

 

publicado por HF às 09:35
arquivos
pesquisar neste blog
 
arquivos